A arte perdida do pensamento profundo

A ARTE PERDIDA DO PENSAMENTO PROFUNDO

“Tenho prazer nos teus mandamentos; eu os amo. A ti levanto minhas mãos e medito nos teus decretos” (Salmo 119.47-48).

Estamos vivendo a “era da informação”. Somos continuamente bombardeados por toda sorte de notícias, dia e noite. Elas percorrem o mundo em tempo real. Sabemos a cotação do dólar ou da bolsa naquele momento. As informações vêm acompanhadas de imagens, sons, cores e entrevistas. Nossos aparatos tecnológicos nos conectam com o mundo naquilo que ele tem de melhor, mas também no que ele tem de pior.

Nem toda informação é construtiva. Nem sempre aquilo que lemos, assistimos ou ouvimos estimula positivamente nossos valores morais e espirituais. Na maioria das vezes ocorre exatamente o contrário.

Desde a antiguidade a sabedoria bíblica aponta outra direção: a meditação criteriosa e cuidadosa na Palavra de Deus deve preencher nosso pensamento e nosso coração. Meditar na Palavra tem se tornado uma arte perdida. Justificamo-nos com a falta de tempo, com a correria da vida moderna. Substituímos a Palavra por outros passatempos... e acabamos nos tornando espiritualmente rasos, presas fáceis das armadilhas modernas do stress, da ansiedade e da superficialidade.

Aquilo que pensamos determina o que somos. Repare o que a Bíblia nos diz em Provérbios 27.19: “Assim como a água reflete o rosto [como num espelho], o coração reflete quem somos nós.” O Senhor Jesus deixou isso ainda mais claro, Marcos 7.21-23: “Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos... Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro.”

Isso comprova o que dissemos acima: aquilo que pensamos determina o que somos. Não poderemos ser cristãos devotos e sadios sem alimentar corretamente nossos pensamentos. Paulo conhecia a arte de pensar em profundidade. Ele nos exorta em Romanos 12.2: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Considere o que o mesmo Paulo nos diz em Filipenses 4.8: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”. Agora, faça um exercício: substitua a palavra “tudo” pela palavra “apenas” e veja como fica o versículo. Nosso pensamento deve ser ocupado apenas por coisas que sejam verdadeiras, nobres, corretas, puras, amáveis, de boa fama, excelentes. O verbo “pensar” empregado neste versículo é tradução de um termo que significa “ponderar, avaliar, observar atentamente”. É o correspondente do Novo Testamento à ideia de ”meditar”, tão presente nos salmos do Antigo Testamento.

Para sermos sábios temos de ser profundos. Aquilo sobre o que pensamos determina aquilo em que nos transformamos. Meditar na Palavra é pensar nela com profundidade. Já é tempo de recuperarmos a arte perdida do pensamento profundo.

Vou lançar um desafio para estes dias anormais de pandemia: durante uma semana, substitua o tempo que normalmente emprega na frente da TV ou do computador (com exceção do tempo de trabalho) para ponderar cuidadosamente nas passagens bíblicas acima. Ao final da semana, avalie se realmente perdeu alguma coisa relevante na TV ou no computador. E registre as vantagens que obteve em termos de paz interior, alegria e prosperidade naquilo que realizou.

Aposto que você vai sair no lucro. A Bíblia garante isso!

Victor H. Michel (victor@vidasingular.com.br)

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